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Fragilidade

 Não deveria dizer, mas eu preciso... Eu preciso que você ame minha solidão. Preciso que você ame meu medo da solidão. Porque irei me afastar e dizer que necessito ficar sozinha, mas tudo o que mais temo na vida é estar só. Preciso que você esteja perto, mesmo sem estar. Preciso saber que você está perto. Eu preciso que você espante cigarras do quarto e não alugue filmes de terror. Eu preciso que você ame minha rejeição às fraquezas. A rejeição às minhas próprias fraquezas. Porque suportarei os sofrimentos calada e brigarei quando você se oferecer para compartilhar um pouco da minha dor, mas tudo o que mais anseio é alguém para dividir as pedras que arrasto com os pés.  Eu preciso que você ame meu pânico em ser rejeitada. Meu medo de não ser amada. Porque às vezes irei passar por cima das minhas vontades e princípios sem que você perceba, só para não correr o risco de te ver partir. Eu preciso que você respeite meu asco a pronomes possessivos e as cartas gu...

O presente que eu não quero ganhar

Papai Noel, meu querido! Faz tempo que não escrevo, né? Acontece que nos últimos anos eu pedi algumas coisas e elas vieram bem atrapalhadas, então resolvi contar um pouco sobre mim e minhas intenções pra ver se o senhor acerta dessa vez. Fui uma boa pessoa durante o ano que está acabando; passei sábados e domingos trancada dentro do laboratório trabalhando, dei bons conselhos aos amigos entre uma e outra cerveja no buteco perto de casa, troquei o dia pela noite estudando para as provas da faculdade, tomei alguns porres, curei algumas ressacas, fui pro samba, pro rock e pro forró. Em suma, eu vivi bem do jeitinho que gosto: workaholic de oito às dezoito, boêmia de meia noite às seis.  Muito digno para uma mulher de vinte e poucos anos, não? Seria, não fosse a maldita paixão atravessando meu caminho... Duas vezes! E o que mais me emputece é saber que, há exatamente um ano atrás, eu estava sentada em frente ao mesmo computador choramigando minhas carências, minha solteirice ...

Preto e branco

Por quanto tempo somos capazes de viver no lugar comum chamado simplicidade? Por quanto tempo o "não" e o "sim", crus e diretos, podem durar? A simplicidade me agrada. O olhar preto e branco, sem nuances ou degradês; é ou não é. O problema é que agrada mas não se mantém. Precisa de pouco para "talvez", "e se", "mas", "será" e companhia retornarem ao habitual vocabulário dos monólogos mentais... Talvez (olha ele aí!) uma solução seja se esforçar: para manter a simplicidade, para abandonar os "senões". Se policiar, prestar atenção aos pensamentos, reprogramar as intenções. Se funcionar eu conto, ok?

Mentir pra mim

Um coração vazio parece bater mais, muito mais que um cheio de alguém. Bate tanto e por tão nada que chega a doer... Queria tanto enganar a mim mesma! Me apaixonar platonicamente, me iludir! Mas a consciência da realidade e dos homens é tanta que não sinto mais os efeitos do suave veneno que é o engodo.

O escorpião, o sapo e o rio

Quando minha mãe quer explicar sobre a imutabilidade de certas situações ou discutir sobre o comportamento humano, ela quase sempre conta a história do sapo e o escorpião. Havia um rio, um sapo nadando e um escorpião em uma das margens. O escorpião chama o sapo e pede "por favor, sapinho, poderia me levar à outra margem do rio?" O sapo olha desconfiado e responde "você acha que eu sou doido? Você vai me picar, meu corpo vai ficar paralizado e vou afundar!" O escorpião faz mil promessas, “se eu o picar nós dois afundaríamos, não seja tolo!”, e convence o sapo a fazer a travessia. O escorpião sobe nas costas do sapo, e eles entram no rio. No entanto, quase chegando do outro lado, o escorpião crava seu ferrão no sapo; já sob o efeito do veneno, o sapo questiona "por que você me picou? agora nós dois vamos morrer!" E o escorpião responde, antes de afundar, "me desculpe, eu sou um escorpião e essa é a minha natureza."  Eu também gosto muito de...