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Mostrando postagens de 2009

Uivos na madrugada

O homem não é lobo do (outro) homem; o homem é lobo de si mesmo. Não bastando as ilusões a que sou exposta diariamente, minha cabecinha florida não se cansa de criar histórias da carochinha e nelas me inserir ativamente. Ratos, abóboras, tijolos: ninguém fica ileso! Mal os vejo já imagino cavalos, carruagens e castelos... O problema é que, passada a empolgação, ouço as doze badaladas, o encanto se desfaz e tudo volta à humilde condição de ser só o que se é (nem um pouquinho a mais, nem um pouquinho a menos). Quando vou aprender a amar o que de fato existe? Ô eu-lírico burro que só me mete em furada...

Palavras úmidas

Eu não estou aqui. Você não está me vendo. *** Meus inúmeros eus se dissolveram todos na tempestade. Me fragmentei. Sabe-se lá o que será de mim quando o sol sair e as roupas secarem... Hoje vou me reinventar!

Do egoísmo

Juntas ou separadas, as letras no papel insistem em dar sentido ao que sinto. Migalhas de pão não matam a fome. Umas poucas palavras também não. Como escrever o que eu mesma nem sei dizer? Não aprendi a compartilhar o melhor - e o pior - de mim. E na ignorância permanecerei, que os meus silêncios interiores são sublimes e só meus.

Sobre adaptar

Eu não vou me render aos prés e pós conceitos. Não vou me conceituar. Quero o respeito sem cercas, sem muros e sem freios. Ser ilimitado é ser divino. E só Ele sabe o quão triste é olhar para os lados e encontrar tantos filhos de Deus mergulhados na estúpida insistência de ser um simples mortal...

Da frustração

Quem mandou dar ouvidos a conselho de mãe? *** Não adianta ser inteligente, ter senso de humor, sorrisão bonito, um belo par de peitos, Saramago, Chico ou Almodóvar: a balança pesa cinco quilos a mais do que deveria.

O pânico de não ser

Meu estômago já não digere o medo de um dia eu não ser tudo o que planejei. Porque eu não planejei grandes atos, nem grandes sonhos, mas também não planejei grandes "nadas". Não planejei ser medíocre. E dá um medo do caralho de um dia ser.

Pra chamar de meu

Dorme em minha boca um desejo profundo, e na sua boca desperta. Cálido. Me transporto para o mais íntimo do meu ser e toco, num beijo, o mais íntimo do teu ser. Na realidade que se desintegra, suor, saliva, lágrimas. (Sal.) Não há tempo, não há cercas, não há nada. Sincera intenção, almas.

(Nada) poeticamente insone

Segunda noite sem dormir. Segunda noite que fecho o livro e ele não vai embora. No escuro do quarto sinto o cheiro, o calor, o hálito que eu, e tão somente eu, conheço (pois foi eu quem os determinou). Vai dormir, eu-lírico! Vai e leva junto este seu namorado louco de papel que não me dá sossego! Põe a mão nas minhas costas, a boca em meu ouvido, roça o nariz em minha face... Entreguem-se em outro lugar e me deixem na paz branca e imaculada do sono! Que eu preciso descansar, preciso de carinho e preciso de realidade.

Poeticamente amante

Me apaixonei por um personagem! Ê coração errado... Ê coração errante! E se foi meu eu-lírico quem se apaixonou, não eu? Será que existe licença poética para eu-lírico se apaixonar? Fecho o livro e pufht!, ele se vai. Fora das páginas nada, necas, nem uma gotinha de suor. Mas é pôr os olhos nas letras e lá está! Nas entrelinhas, nos parágrafos, notas de rodapé, capa e contracapa. Que dor abandoná-lo na mesa de cabeceira...

Brrrr

Confundindo o que sou, o que gostaria de ser, o que os outros acham que sou, o que eu acho que os outros acham que sou: bicho de sete cabeças barata meleca criança adultos braços curtos mundo grande quero tudo quero nada choro vela livro som grito partida riso fui fui fui.

Pronto, o amor se estrepou

"Eu também andei bem errada, procurando quando devia só esperar. Aí meti a mão nas cumbucas erradas e me estrepei." É isso aí, ó. Agora eu não quero saber nem de mãos, nem de cumbucas. Vou sonhar com Gael, Depp e companhia, enquanto o gelol faz efeito no meu coração.

Desejo de ano novo

Emoções delicadas. Primeira semana do ano. Muito pouco aconteceu, e dentre esse muito pouco tudo pareceu muito, mais do que se é num ano comum. A fumaça do incenso desliza no ar, minha alma junto, no ar. Vontade de dançar a noite inteira com parceiros vários e amores tantos, sozinha no escuro da sala. Fazer do ano uma noite eterna... O coração à toa, cheio de expectativas e vazio de realidade. Nunca mais acordar, nunca! Deixar o natal chegar e a vida estar assim, suave e doce breu.

O pânico de ser

Algo quer sair dos meus dedos! Não por entre, deles! Meus dedos vão parir! Deus meu. Não sei se os permito, se deixo, se lavo minhas mãos e faço a ânsia passar. Tenho medo do que possa sair. Porque pode ser um anjo e pode ser um monstro. Ou um monstro com olhos de anjo. ... Tenho muito muito medo de tudo o que pode existir dentro de mim. E medo de quando o que existe oculto em mim ganhar vida. Medo medo medo do que posso vir a ser. Da insegurança de mudar. Deus, por quê você sempre está aqui? Por que não me abandona um pouco para que eu possa desistir ao menos um minuto de viver? Eu não quero mais existir tanto! Eu quero a unção da ignorância! Dai-me a benção sagrada de ser só um grãozinho de areia no deserto.