06 Fevereiro, 2012

Reflexão


"Você é a mais difícil das mulheres que eu nunca tive."

Talvez seja uma pista sobre a origem dos meus problemas. Talvez não.

13 Janeiro, 2012

Fragilidade


 Não deveria dizer, mas eu preciso...

Eu preciso que você ame minha solidão. Preciso que você ame meu medo da solidão. Porque irei me afastar e dizer que necessito ficar sozinha, mas tudo o que mais temo na vida é estar só. Preciso que você esteja perto, mesmo sem estar. Preciso saber que você está perto.

Eu preciso que você espante cigarras do quarto e não alugue filmes de terror.

Eu preciso que você ame minha rejeição às fraquezas. A rejeição às minhas próprias fraquezas. Porque suportarei os sofrimentos calada e brigarei quando você se oferecer para compartilhar um pouco da minha dor, mas tudo o que mais anseio é alguém para dividir as pedras que arrasto com os pés. 

Eu preciso que você ame meu pânico em ser rejeitada. Meu medo de não ser amada. Porque às vezes irei passar por cima das minhas vontades e princípios sem que você perceba, só para não correr o risco de te ver partir.

Eu preciso que você respeite meu asco a pronomes possessivos e as cartas guardadas dos ex-namorados.

Eu preciso que você ame minhas contradições. Preciso que você ame meus defeitos, meus medos, meus enganos, meus sonhos perdidos. Preciso que sua mão cubra a ferida e lá permaneça até cicatrizar.

E, sobretudo, preciso que você ame em silêncio esse grito (des)abafado.

10 Janeiro, 2012

Janeiros

E fico eu gritando pela casa como se espantasse um pássaro agourento:

- Xô, solidão! Xô!

05 Janeiro, 2012

O presente que eu não quero ganhar

Papai Noel, meu querido! Faz tempo que não escrevo, né? Acontece que nos últimos anos eu pedi algumas coisas e elas vieram bem atrapalhadas, então resolvi contar um pouco sobre mim e minhas intenções pra ver se o senhor acerta dessa vez. Fui uma boa pessoa durante o ano que está acabando; passei sábados e domingos trancada dentro do laboratório trabalhando, dei bons conselhos aos amigos entre uma e outra cerveja no buteco perto de casa, troquei o dia pela noite estudando para as provas da faculdade, tomei alguns porres, curei algumas ressacas, fui pro samba, pro rock e pro forró. Em suma, eu vivi bem do jeitinho que gosto: workaholic de oito às dezoito, boêmia de meia noite às seis. 

Muito digno para uma mulher de vinte e poucos anos, não? Seria, não fosse a maldita paixão atravessando meu caminho... Duas vezes! E o que mais me emputece é saber que, há exatamente um ano atrás, eu estava sentada em frente ao mesmo computador choramigando minhas carências, minha solteirice crônica, a solidão de ser a única entre as amigas que não tinha um homem pra chamar de seu. Eu, euzinha, pedi ao senhor (lembra?) que mandasse um namorado (sim, confesso que utilizei essa palavrinha mágica, n-a-m-o-r-a-d-o) lindo, fofo, que me amasse e telefonasse todo dia. Pedido feito, pedido atendido; o problema foi não ter citado nada a respeito sobre duração e qualidade do namoro. Então foram dois namorados, duas ilusões, dois pés na bunda e vários, incontáveis dias chorando debaixo do chuveiro, achando a vida mais chata que documentário sobre a reprodução das anêmonas.

Agora cá estou, prestes a inaugurar outro ano e pedindo encarecidamente: EU QUERO CONTINUAR SOLTEIRA! Mande paixonites de quinze dias, amores platônicos, transas homéricas (várias, por favor!), paquerinhas, flertes, sexo casual bacanudo com aquele rolo de anos, mas não mande outro namorado. Não preciso de outra história maluca e sofrida pra chegar à conclusão de que o "status de relacionamento: solteira" combina com meu corte de cabelo, digo, com minha personalidade e meu momento atual. Não gosto quando esse ranço de criação modelo desenho da Disney se manifesta na minha vida e volto a acreditar em amor eterno, paixão à primeira vista e príncipes encantados (acredito no senhor, Papai Noel, por mera conveniência). Quando a realidade ganha esses floreios de Cinderela eu me perco em meio a tanto colorido e termino a história sem conseguir anotar a placa do caminhão que me atropelou.

 Mas antes que o senhor entenda "focinho de porco" ao invés de "tomada", vou deixar claro: não quero ser solteira pra sempre, quero ser solteira só por enquanto (a duração do "por enquanto" o senhor deixe comigo, tá?). Quero é ser capaz de não vincular felicidade a compromisso, como se fosse algo simbiótico. Estou bem sozinha e não vejo mais sentido em me divertir com os caras errados enquanto o cara certo não aparece; os caras errados são ótimos! Me deixe com os errados, os vários errados da minha vida, que eles são a medida exata do que eu necessito hoje.  Não me faltam abraços, olhares, telefonemas, carinhos, e é bom estar leve assim. 

Ficamos combinados, queridíssimo Papai Noel? Nada de namorados em 2012? Em time que está ganhando não se mexe e a vida de solteira está fazendo um bem danado pra minha pele!

10 Dezembro, 2011

Preto e branco

Por quanto tempo somos capazes de viver no lugar comum chamado simplicidade? Por quanto tempo o "não" e o "sim", crus e diretos, podem durar?

A simplicidade me agrada. O olhar preto e branco, sem nuances ou degradês; é ou não é. O problema é que agrada mas não se mantém. Precisa de pouco para "talvez", "e se", "mas", "será" e companhia retornarem ao habitual vocabulário dos monólogos mentais...

Talvez (olha ele aí!) uma solução seja se esforçar: para manter a simplicidade, para abandonar os "senões". Se policiar, prestar atenção aos pensamentos, reprogramar as intenções. Se funcionar eu conto, ok?

19 Novembro, 2011

Mentir pra mim


Um coração vazio parece bater mais, muito mais que um cheio de alguém. Bate tanto e por tão nada que chega a doer... Queria tanto enganar a mim mesma! Me apaixonar platonicamente, me iludir! Mas a consciência da realidade e dos homens é tanta que não sinto mais os efeitos do suave veneno que é o engodo.

18 Novembro, 2011

O escorpião, o sapo e o rio


Quando minha mãe quer explicar sobre a imutabilidade de certas situações ou discutir sobre o comportamento humano, ela quase sempre conta a história do sapo e o escorpião. Havia um rio, um sapo nadando e um escorpião em uma das margens. O escorpião chama o sapo e pede "por favor, sapinho, poderia me levar à outra margem do rio?" O sapo olha desconfiado e responde "você acha que eu sou doido? Você vai me picar, meu corpo vai ficar paralizado e vou afundar!" O escorpião faz mil promessas, “se eu o picar nós dois afundaríamos, não seja tolo!”, e convence o sapo a fazer a travessia. O escorpião sobe nas costas do sapo, e eles entram no rio. No entanto, quase chegando do outro lado, o escorpião crava seu ferrão no sapo; já sob o efeito do veneno, o sapo questiona "por que você me picou? agora nós dois vamos morrer!" E o escorpião responde, antes de afundar, "me desculpe, eu sou um escorpião e essa é a minha natureza." 

Eu também gosto muito dessa história. E é justamente através dela que vou explicar uma coisa a você, meu querido escorpião: já percebi sua voz doce, seus carinhos inusitados, seus mimos. Essa coisa de sexo bonitinho, meio cúmplice, olhos nos olhos. Você me apresenta aos seus amigos, faz planos de casal, usa pronomes possessivos do tipo “nosso” e “minha” com mais frequência que o usual. Você está tentando me convencer a atravessar o rio. E, sinto informar, eu não serei o sapo a morrer afogado contigo! Eu conheço a sua natureza e sei o quão capaz é de me ferir. É tentador acreditar que poderia mudar caracteres intrínsecos da sua personalidade, mas eu belisco meu braço e a tentação passa. Você me tenta, o desafio me tenta, o desejo me tenta, mas eu beslico o braço e a toda as tentações passam. 

Eu não sou uma princesa, mas também não serei o sapo.

09 Novembro, 2011

Ponto ótimo

Quinze minutos atrás um amigo lançou uma pergunta: porque os homens se apaixonam pelo que vêem e as mulheres pelo que ouvem? Era uma pergunta retórica, um desabafo, e deveria ter se encerrado na minha resposta "não sei, nunca parei pra pensar nisso". Só que comecei a pensar. E em mais do que os porquês de nos apaixonarmos; por quê nos apaixonamos tanto?

Fico extremamente tentada a usar o Mário Quintana pra (me) justificar, "no entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo: as andorinhas é que mudam", mas tenho plena consciência de que é um engodo. Difícil enganar a si mesmo, né? Às vezes esse "hábito" de apaixonar constantemente parece uma doença crônica, da qual queremos nos livrar e conseguimos, no máximo e com muito custo, minimizar os sintomas. Não que paixão ou amor sejam aspectos negativos da vida; o problema reside no excesso.

Como determinar o "ponto ótimo" de estar apaixonada? Como identificar o limite e saber se estamos ultrapassando-o? E, o questionamento que me consome neste exato momento, como parar? Como estancar essa ferida aberta, que verte continuamente os sentimentos pra fora? Porque dentre todas essas dúvidas, de uma coisa estou certa: eu gosto de me apaixonar, mas tem hora que cansa...

02 Outubro, 2011

Pra mim

Você pode partir.
Você pode partir porque eu sei que vai voltar.
Vai voltar, e estarei esperando com sanduíche e suco na geladeira, toalha no banheiro, roupas limpas – com o seu cheiro, que eu nunca mais esqueço – e a cama arrumada para você dormir. Vai voltar pra ler de madrugada enquanto durmo no seu colo; pra dormir de conchinha durante os primeiros quinze minutos de sono; pra deitar de barriga para cima e roncar; pra acordar com a cara amassada e demorar literalmente duas horas pra sair da cama.
Na verdade eu não sei. Não tenho nem sombra de certeza.
Eu só quero, e quero muito que você volte. Não importa quantas vezes você vá embora, e nem por quanto tempo vá ficar longe; o que importa, mesmo, é que volte. Pra mim.

15 Julho, 2011

Aquele não

Não. Eu não posso. Taí o não mais difícil de dizer: o não que deseja ardentemente ser convertido em sim. O não que é um “eu quero, mas não devo!”. O não que nem deveria ser dito, porque pela condução natural da vida não era pra haver uma pergunta a ser respondida. Ou um convite.

Dizer não a estranhos é fácil. Dizer não aos próximos às vezes é delicado, tenso, mas plenamente possível, a palavra saí da boca – com naturalidade ou sem, faz pouca diferença. Agora vai dizer não a você mesmo, vai... Dizer não às vontades malucas, às paixões que habitam secretos descaminhos do coração, vai!

Sabe quando você está com a garganta inflamada, entupida de antibiótico e dá um pulinho no bar só pra dar um oi aos amigos? Quando aparece aquela santa alma pra pedir um copo, servir a cerveja e te oferecer? Você tem plena consciência de que não pode, que não vai parar no primeiro copo (que sejam só dois; dois é diferente de um, e um é diferente de nenhum), que é errado. E você bebe! Um, dois, n copos. Se regozija. Depois a dor de garganta piora, você tenta se convencer que foi por uma boa causa mas, internamente, sabe que fez uma grande bobagem: quinze dias sem cerveja não mata. Dizer não a certos caprichos não mata.

O que mata é ceder justo quando o não está lá agarradinho na garganta, doido pra sair. Fraqueza de espírito é o que mata. Ou de pernas.

***

As respostas estão todas ao alcance: basta aceitá-las.