Papai Noel, meu querido! Faz tempo que não escrevo, né? Acontece que nos últimos anos eu pedi algumas coisas e elas vieram bem atrapalhadas, então resolvi contar um pouco sobre mim e minhas intenções pra ver se o senhor acerta dessa vez. Fui uma boa pessoa durante o ano que está acabando; passei sábados e domingos trancada dentro do laboratório trabalhando, dei bons conselhos aos amigos entre uma e outra cerveja no buteco perto de casa, troquei o dia pela noite estudando para as provas da faculdade, tomei alguns porres, curei algumas ressacas, fui pro samba, pro rock e pro forró. Em suma, eu vivi bem do jeitinho que gosto: workaholic de oito às dezoito, boêmia de meia noite às seis. Muito digno para uma mulher de vinte e poucos anos, não? Seria, não fosse a maldita paixão atravessando meu caminho... Duas vezes! E o que mais me emputece é saber que, há exatamente um ano atrás, eu estava sentada em frente ao mesmo computador choramigando minhas carências, minha solteirice ...