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"Quem quer entender o destino tem de sobreviver a ele." Jostein Gaarder

Com qual estapafúrdia clareza passado e futuro se fizeram entender, bem diante dos meus olhos, há menos de dois segundos atrás? Momento raro, disperso no tempo; pudera eu prendê-lo em minhas mãos. Todas as perguntas, todas as respostas... Estavam todas ali, ao meu alcance. Sim!, eu poderia fazer este momento durar eternamente. E pagaria um preço por isso; mistérios deixariam de ser mistérios, dores e paixões deixariam de ser sentidos para galgarem o posto de "acontecimentos" - datados, medidos, previsíveis. Talvez eu pudesse ser mais feliz assim, vivendo em uma realidade tátil. talvez, porque não me dei tempo suficiente para ter descobrir. Uma certeza bastou; uma, apenas. Todo aquele carnaval na minha cabeça, minhas idéias e sentimentos lançados ao alto feito confete e serpentina, tudo isso a troco da simples e efêmera certeza de que valeu a pena chegar até aqui e prosseguir há de fazer valer mais. Preço alto pelo óbvio ululante? Preço justo pela paz que acompanhará meu sono esta noite...

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Eficiente e rosada

Ah, claro, é porque eu tenho buceta. Desse jeito assim, b.u.c.e.t.a. Comprada em suaves prestações, tecnologia de ponta. Não fede, não sangra, não adoece, não cansa, não estressa. Apenas uma eficiente e rosada buceta. É a tal da buceta quem me dá tudo: dinheiro, amor, comida, prazer, joias, cortesia na balada. E é a mesma buceta quem me chama de vadia, galinha, vagabunda, puta. Buceta não tem nome. Pênis tem; João, Diego, Rodrigo, Mateus. Buceta nunca, é só buceta. Sirlanney (http://sirlanney.tumblr.com/)

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Mamãe mandou: "goste mais de você, menina." Ela disse isso há quatro horas atrás, e "isso" simplesmente não saiu da minha cabeça até agora. Não foi um "lave atrás da orelha", "vai arrumar a cama", ou "vai sair de novo?". Não foi conselho de mãe; foi conselho de pessoa vivida. Como doeu escutar aquilo! Não que eu tenha considerado ofensivo, não é isso. A questão é que bateu fundo, me fez olhar no espelho e constatar que eu tenho cuidado muito pouco de mim. Pela primeira vez eu percebi que minha alma está, assim como o meu corpo, repleta de cicatrizes. E pelo mesmo motivo: falta de atenção. Cicatrizes não são um sinal de vivência; são marcas de uma vida tocada com desleixo. Talvez a motivação da minha mãe tenha origens mais puritanas do que posso absorver mas, ainda assim, são válidas. Se entregar não é dar ao outro as rédeas dos seus sentimentos.

Pronto, o amor se estrepou

"Eu também andei bem errada, procurando quando devia só esperar. Aí meti a mão nas cumbucas erradas e me estrepei." É isso aí, ó. Agora eu não quero saber nem de mãos, nem de cumbucas. Vou sonhar com Gael, Depp e companhia, enquanto o gelol faz efeito no meu coração.