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Peço.

Bela, Bela, Bela... Será possível que nunca mais verei o brilho ingênuo dos seus olho? Você está crescendo, Bela. E, em um curto espaço de tempo, não lhe será mais permitido ver um balão como uma bola colorida na qual você gostaria de ser agarrar e sair voando pelo mundo; um balão deverá ser tão somente um balão. Não poderá mais tomar sorvete e sujar a roupa, pois adultos não derramam sorvete -- e não sabem aproveitá-lo, diga-se de passagem. Ah, minha pequena, você está crescendo. Eu gostaria de vendar-lhe os olhos e tapar-lhe os ouvidos, para que nada maculasse sua doçura imprudente e sincera. No entanto isto não é possível. Então rezo. Rezo para que as pedras deste mundo cinza não se acumulem sobre suas costas e não tirem a leveza de sua alma. Certas dores e fardos serão inexoráveis, algumas lágrimas serão derramadas em oferenda à solidão; não posso rezar para que não lhe aconteça aquilo que está escrito, não posso pedir a deus (seja qual for o deus) para que não sofra. Mas a leveza....

Tentativa

Há de chegar o dia em que escreverei sobre meus amigos, contado assim, ao mundo, o grande segredo de meus tantos sorrisos. Um dia diria a todos que seus abraços me são mui caros, seus despreocupados "olás", uma benção. Este dia há de chegar - há sim senhor! -, no qual saberão que, não fossem eles, eu não passaria de uma murcha maria-sem-vergonha, flor seca. Não é mistério, contudo, que este dia não é hoje; tenho um roto coração e migalhas de alma para recuperar. Mas há de chegar...

Não é o que se pensa...

Peço desculpas a todos aqueles que levam este blog a sério; infelizmente a função deste não é ser sério, ou contundente. Serve tão somente como depósito daquilo que penso sob a forma de textos que nem sempre são um reflexo exato do que vivo. De vez em quando são só textos, jogos de palavras. Dou-me o direito, hoje, de postar aqui algo que me fez dar gargalhadas o dia inteiro. É fofinho!

Antes ou depois do ano acabar?

Passam de duas horas da manhã, e pela centésima vez meu castelo de cartas cai antes que eu coloque o derradeiro par. Todos dormem, a casa está em absoluto silêncio; nem a minha respiração é capaz de macular a aura quase mística que envolve minha insônia. Quando era pequena me punha a construir castelos, a imaginar que seria "o meu castelo", onde eu iria morar com meu amado, teria meus filhinhos, e morreria bem velhinha. Agora, aos quase vinte, empilho cartas para me distrair, nada de amores, filhos ou planos para morrer. Brincar com o baralho pode parecer uma atividade solitária, mas não é; é uma atividade "esvaziadora". Me concentro nas cartas e esqueço do mundo. "Adios" problemas, preocupações e sentimentalismos. Um momento egoísta? Sim, extremamente. Masturbação do ócio -- pena que se torne enfadonha após prática constante. Baralho e porre. Duas coisas as quais posso me dar o luxo de usufruir apenas algumas vezes ao longo do ano. O exagero leva à falsa ...

Do que pode vir a ser.

A lua não brilhava no céu daquela quinta-feira. Noite amena; nada de nuvens, nada de estrelas, brisa leve espalhando algumas folhas secas no jardim. Ando de um lado para o outro, do quarto pro banheiro, do banheiro pro quarto. Estou vinte minutos atrasada. Ele vai passar para me pegar daqui a pouco e ainda estou enrolada na toalha, droga!, onde eu guardei minha calcinha preta? Mãe, onde está o estojo da maquiagem? Esquece, já achei. Minha mão está lambuzada de hidratante, o estojo está escorregando, mãe segura o estojo, mãe, mãe! O espelho quebrou. Tudo o que eu não precisava. O ano prestes a terminar, e quebro um espelho. Mais sete anos de azar? Tudo o que eu não precisava. Olho para os cacos de espelhos no chão, me lembro de Quintana: "Os espelhos quebrados tem mais luas." Não há lua no céu, mas há vários "eus" nos espelhos. Imagens reais, vituais, reflexos. Imagens. Quem sou eu? E se colar os pedaços? Viro um mosaico? A buzina toca lá fora, mãe pede pra ele esper...

Conversas, ausências e distância.

Jeans black da Levi´s, sandália da Melissa, bata branca da Hering -- não, não estou recebendo pela propaganda. Cabelos penteados, com cachos nas pontas, curtos. Unhas pintadas, blush, pancake, sombra, batom. Perfume. Perfeita. No fundinho do meu coração mora uma saudade imensa, que não mata nem fere. Se queria que ele estivesse aqui para me ver tão bonita? Sim, queria. Mas não choro mais, "só levo a saudade"... Não acredito em coisas perfeitas, e meu natal não seria perfeito se ele estivesse aqui, assim como não será com ele distante. Mas a saudade, meu caro, é um fato. Sinto sua falta, quer acredite, quer não. Hum... Um beijo. Do tamanho do meu carinho. Pra você mesmo, Sr. Boi Bobo.

Hã... Feliz Natal?

Eba! Peru! Frutinhas! Primos amados em BH! Nozes! Hum... Nozes! Eu não detesto natal. Não gosto de musiquinhas de natal, nem rezo na hora da ceia, mas não detesto natal. Eu como nozes no natal. É quase possível amá-lo, só por causa das nozes.