Pular para o conteúdo principal

Sobre o pudor e a escrita

Há muitos dias venho sentindo uma grande urgência em escrever, fazer reais as inúmeras imagens formadas na minha mente. Frases, parágrafos, finais... Várias histórias contadas de várias maneiras, muitas, muitas palavras caminhando de um neurônio a outro.

E, no entanto, algo travou. Eu não conseguia escrever.

Mais palavras, mais ideias, bum!, a luz acendeu. E qual não foi o espanto ao perceber a motivação do bloqueio... Quando escrevo não se trata apenas de exposição: é uma completa nudez. Enquanto dou forma (e palavras) às ideias, vou despindo as situações do cotidiano até restar a sensação, o sentimento. Talvez seja mais até que nudez: é como se, depois de tirar as roupas, eu me sentasse de pernas abertas. Bem abertas.

Curiosamente o pudor existe justo quando estou composta; composta de fatos, realidades, nomes, endereços. Isso sim é a real exposição! E anda bem difícil me livrar dessas "assinaturas". Todos os textos pensados são como que feitos para alguém, para dizer algo a alguém, e em algum canto do cérebro minha consciência acende o sinal de alerta: caminho errado, garota, caminho errado. Não que seja um crime escrever por circunstância!, só não é a minha intenção. Não me sinto confortável com tantas costuras e botões, com tantas amarras.

Antes falar sobre a dificuldade de traduzir as ideia que falar sobre as ideias em si.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eficiente e rosada

Ah, claro, é porque eu tenho buceta. Desse jeito assim, b.u.c.e.t.a. Comprada em suaves prestações, tecnologia de ponta. Não fede, não sangra, não adoece, não cansa, não estressa. Apenas uma eficiente e rosada buceta. É a tal da buceta quem me dá tudo: dinheiro, amor, comida, prazer, joias, cortesia na balada. E é a mesma buceta quem me chama de vadia, galinha, vagabunda, puta. Buceta não tem nome. Pênis tem; João, Diego, Rodrigo, Mateus. Buceta nunca, é só buceta. Sirlanney (http://sirlanney.tumblr.com/)

Romance de papel

Buenos Aires, duas histórias, um casal eminente que ainda nem se conhece. Enquanto os protagonistas abrem a janela do apartamento (e, metaforicamente, da própria vida), o cantor diz assim escondidinho em inglês: 'Cause true love/ is searching too/ But how can it recognize you/ Unless you step out into the light? Estavam próximos um do outro, mas distantes de si mesmos... Para nosso alívio e deleite, eles se encontram no final - por favor, não reclame por ser algo óbvio; a vida real não é cinema e nós precisamos de um pouco de romance para alimentar as ilusões. Assisti a essa cena dezenas de vezes, a música preenchendo minha mente feito um mantra. Onde eu estou errando? Porquê não consigo abrir minha janela? De onde vem tanto receio e ceticismo? Como saber se a pessoa certa está a uma quadra de distância e só eu não consigo perceber? Existe "a pessoa certa"? Então veio outro filme, outra cena, e me deparei com uma possível resposta: algumas pessoas nascem para ...

Not enough

O gosto do café continua na minha boca. Fecho os olhos e retorno ao beijo uma, duas, centenas de vezes. O furacão que passou por mim passou por você também? Eu não sei. Eu realmente não sei o que dizersentirpensar. Me perdoa. Me perdoa porque eu te quero mas não te amo. E querer não é o bastante para nós dois. https://www.evauviedo.com.br/