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Pronto, o amor se estrepou

"Eu também andei bem errada, procurando quando devia só esperar. Aí meti a mão nas cumbucas erradas e me estrepei." É isso aí, ó. Agora eu não quero saber nem de mãos, nem de cumbucas. Vou sonhar com Gael, Depp e companhia, enquanto o gelol faz efeito no meu coração.

Desejo de ano novo

Emoções delicadas. Primeira semana do ano. Muito pouco aconteceu, e dentre esse muito pouco tudo pareceu muito, mais do que se é num ano comum. A fumaça do incenso desliza no ar, minha alma junto, no ar. Vontade de dançar a noite inteira com parceiros vários e amores tantos, sozinha no escuro da sala. Fazer do ano uma noite eterna... O coração à toa, cheio de expectativas e vazio de realidade. Nunca mais acordar, nunca! Deixar o natal chegar e a vida estar assim, suave e doce breu.

O pânico de ser

Algo quer sair dos meus dedos! Não por entre, deles! Meus dedos vão parir! Deus meu. Não sei se os permito, se deixo, se lavo minhas mãos e faço a ânsia passar. Tenho medo do que possa sair. Porque pode ser um anjo e pode ser um monstro. Ou um monstro com olhos de anjo. ... Tenho muito muito medo de tudo o que pode existir dentro de mim. E medo de quando o que existe oculto em mim ganhar vida. Medo medo medo do que posso vir a ser. Da insegurança de mudar. Deus, por quê você sempre está aqui? Por que não me abandona um pouco para que eu possa desistir ao menos um minuto de viver? Eu não quero mais existir tanto! Eu quero a unção da ignorância! Dai-me a benção sagrada de ser só um grãozinho de areia no deserto.

1.000

Ai! como eu queria existir mil vezes! Mil vezes viver, mil vezes esquecer, mil vezes amar e mil vezes ter vontade de te atirar do mais alto precipício. Porque pela milésima vez penso em você e não descubro maneira de não pensar. Porque pela milésima vez me odeio e me xingo por ser tão burra e passional. E pela milésima (mas não a última) vez eu tive a certeza de que sou melhor sem você. Mesmo sofrendo mil vezes.

Corro demais

Os vidros da biblioteca me oprimem; a sala de estudos parece encolher, a luz cada vez mais forte incomoda meus olhos. As letras se confundem nos livros, a cabeça pesa, pesa muito... Tudo quer me expulsar para o jardim! Meus pés clamam pela grama macia e úmida, clamam com a certeza de que as respostas que não encontro nos livros estão lá, na grama, apenas aguardando o tropeço. Eu, em contrapartida, não tenho certeza se quero tais respostas. Perguntas solucionadas ocasionam mais e mais perguntas, e me cansei de andar em círculos. Eu quero parar em algum lugar. Se este lugar for a opressiva sala de estudos da biblioteca, amém! Que eu pare e respire o ar morno que escorre pela porta. E mesmo que me confunda, me derreta, me perca, é preciso parar.

Fogo de palha

Deus meu, quanto desespero, quanta agonia! E só de pensar que daqui a pouco tudo passa e já começa de novo!, ai meu deus nossa senhora, quanto desespero, quanta agonia! ... Exclamações tão curtas quanto um sonho bom.

Tudo isso me faz ( )

"E quem disse que a vida tem de ser promissora? É tudo uma merda. O jeito é enfiar a cara na lama e acreditar que você é um porco." Dois anos depois e a frase escrita em um email continua valendo da mesma forma. Será que andei para trás? Ou não andei? ... Porco, caranguejo ou alface? Confuso? Interrogações demais.