17 Fevereiro, 2009

(Nada) poeticamente insone

Segunda noite sem dormir.

Segunda noite que fecho o livro e ele não vai embora.

No escuro do quarto sinto o cheiro, o calor, o hálito que eu, e tão somente eu, conheço (pois foi eu quem os determinou).

Vai dormir, eu-lírico! Vai e leva junto este seu namorado louco de papel que não me dá sossego! Põe a mão nas minhas costas, a boca em meu ouvido, roça o nariz em minha face...

Entreguem-se em outro lugar e me deixem na paz branca e imaculada do sono! Que eu preciso descansar, preciso de carinho e preciso de realidade.

12 Fevereiro, 2009

Poeticamente amante

Me apaixonei por um personagem! Ê coração errado... Ê coração errante!

E se foi meu eu-lírico quem se apaixonou, não eu? Será que existe licença poética para eu-lírico se apaixonar?

Fecho o livro e pufht!, ele se vai. Fora das páginas nada, necas, nem uma gotinha de suor.

Mas é pôr os olhos nas letras e lá está! Nas entrelinhas, nos parágrafos, notas de rodapé, capa e contracapa.

Que dor abandoná-lo na mesa de cabeceira...

07 Fevereiro, 2009

Brrrr

Confundindo o que sou, o que gostaria de ser, o que os outros acham que sou, o que eu acho que os outros acham que sou.

Bicho de sete cabeças barata meleca criança adultos braços curtos mundo grande quero tudo quero nada choro vela livro som grito partida riso fui fui fui.